Pela primeira vez no Brasil, fotógrafo cubano José Alberto Figueroa ganha retrospectiva histórica

SOBRE O EVENTO

Início: 10/01/2018 9:00h
Fim: 04/03/2018 19:00h
Onde: Local: CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo)

Pela primeira vez no Brasil, o trabalho do fotógrafo cubano José Alberto Figueroa ganha retrospectiva histórica com 69 fotografias. A exposição Um Autorretrato Cubano, com curadoria da filha de Figueroa, a crítica de arte e curadora Cristina Figueroa (Estudio Figueroa – Vives, Havana), fica aberta para visitação do público a partir do dia 10 de janeiro, quarta-feira, 9 horas, até 4 de março, sempre de terça a domingo, das 9 às 19 horas, na Caixa Cultural São Paulo. Com carreira versátil, Figueroa trabalhou em estúdio fotográfico de publicidade/moda e até como correspondente de guerra em Angola, na África.

 

Aos 71 anos, o fotógrafo vem ao Brasil para a abertura do evento, no dia 9 de janeiro, com uma visita guiada pela exposição. No dia 12, vai participar de um bate papo com o público. Na ocasião, haverá também o lançamento do catálogo da exposição Um Autorretrato Cubano.

 

A mostra reúne trabalhos que vão da década de 60, quando começou a carreira no estúdio de Alberto Korda (1928-2001) - fotógrafo cubano que se tornou mundialmente conhecido por Guerrillero Heroico, retrato que fez de Che Guevara - até os dias atuais.

 

A exposição Um Autorretrato Cubano está dividida em quatro seções que marcam diferentes momentos da carreira de Figueroa, fotógrafo precursor na transição da fotografia documental para a simbólica/conceitual tanto em Cuba quanto em toda a

 

América Latina. O artista é conhecido por ter explorado importantes fases históricas do seu país, desde os primórdios do triunfo da Revolução Cubana – quando era um jovem fotógrafo de uma família classe média que enfrentou mudanças sociais dramáticas - até os tempos atuais, momento em que muitos cubanos estão divididos entre a saudade do passado, as frustrações do presente e uma perspectiva incerta sobre o futuro.

 

Nascido em 1946, Figueroa se formou fotógrafo na década de 60 (1964-1968), trabalhando como assistente no estúdio de Alberto Korda, onde se especializou em publicidade e moda. Discípulo e amigo de Korda, Figueroa passou a fotografar elementos que representavam as reivindicações de sua geração. O ensaio Exílio, realizado a partir 1967, é bastante representativo deste período, já que retrata o processo exaustivo da migração de cubanos para os Estados Unidos.

 

Entrevista com o fotógrafo e a curadora

 

"A obra de Figueroa é vasta e plural, gerada ao longo de seus 50 anos de carreira, tanto em Cuba como internacionalmente. O recorte curatorial da exposição abrange uma visão mais cronológica das circunstâncias históricas que tocaram Figueroa e representam frustrações, esperanças e utopias da sociedade cubana", conta a curadora e crítica de arte Cristina Figueroa.

 

Em entrevista por email, Figueroa diz considerar o Brasil um país incrível. "Todo fotógrafo tem interesse em conhecê-lo por sua diversidade e pluralidade", escreve o artista, citando o Cinema Novo dos anos 60 como uma época que despertou sua curiosidade sobre o Brasil. "Conheci, em Havana, nos anos 80, o trabalho dos fotógrafos brasileiros Walter Firmo, Juca Martins e Nair Benedicto, que falavam que eu tinha de visitar o  Brasil, pois era um país de muitos contrastes."

 

De acordo com a Cristina, "a vida de Figueroa tem sido documentar o cotidiano em seu país e outros lugares relacionados com Cuba. Muitas das grandes séries de Figueroa, como El camino de la Sierra, Exilio, UndJetzt, NY septiembre 11, são resultado de momentos que tocaram sua vida. A estreita relação entre vida e carreira/fotografia permitiu que ele desenvolvesse sua criatividade. Ter sido testemunha de eventos históricos, como a queda do Muro de Berlim, a guerra de Angola e o ataque às Torres Gêmeas em Nova York, marcaram sua trajetória".

 

Para a curadora, "o universo da fotografia digital abre uma nova fase na carreira de Figueroa. A celeridade e mobilidade do mundo digital são questões que apaixonam. Atualmente, ele está voltado para retratar a nova realidade de Cuba e o relacionamento com os Estados Unidos. O povo e   sua relação com o novo dia-a-dia da cidade. "Parte dessa mudança pode ser vista na exposição da Caixa", adianta Cristina.

 

Seções da exposição Um Autorretrato Cubano

 

Seção 1. Uma história pessoal. Décadas de 60 e 70

 

Esta seção é composta por fotografias do início da carreira de Figueroa nos Studios Korda e as séries A Outra Face da RevoluçãoExílio, em que o artista registrou o êxodo familiar de Cuba para os EUA no começo da Revolução. Mais tarde, na década de 70, Figueroa começou a trabalhar como repórter fotográfico da revista Cuba Internacional e viajou pelo país registrando a outra face do Interior durante a inserção da sociedade cubana no modelo socialista.

 

Seção 2. Havana, Angola, Berlim. The fallen dreams. Décadas de 80 e 90

 

Esta seção inclui a viagem de Figueroa a Angola como correspondente de guerra (1982-1983) e do outro lado da guerra através dos rostos dos cubanos. Isso também pode ser notado em seu trabalho no Hospital Psiquiátrico de Havana e nos retratos de seus compatriotas. A década de 1980 foi para Figueroa o momento de transição de um país sonhado para uma realidade diferente nos anos noventa durante os anos dramáticos do chamado Período Especial em Cuba, iniciado em 1990, após a queda do regime socialista europeu. Figueroa também foi testemunha do colapso físico e moral do muro de Berlim no verão de 1990. Suas obras da década de 1990 têm uma semelhança com a vida dos habitantes de seu país: o exercício constante de introspecção.

 

Seção 3. Imagens atemporais

 

Inclui imagens icônicas de diferentes séries de Figueroa que refletem a manipulação de ícones nacionais. A bandeira cubana, o herói nacional José Martí (criador do Partido Revolucionário Cubano - PRC)  e Ernesto Che Guevara fazem parte dessa pesquisa.

 

Seção 4. Figueroa no século 21

 

Constam projetos relacionados com a necessidade urgente de olhar para trás, para a sociedade e história cubana, a fim de encontrar respostas para o futuro incerto do novo século. Séries como Nova York, 11 de setembro de 2001Figueroa em Figueroae o relacionamento Cuba-EUA fazem parte de sua busca nesse período. Este é também o momento em que Figueroa começa a usar cor e o digital em seu trabalho.

 

Serviço:

Exposição Um Autorretrato Cubano - José Alberto Figueroa

Local: CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo)

Abertura: 9 de janeiro (quarta-feira), às 19h30, com a presença do autor

Visitação: De 10 de janeiro a 4 de março (terça-feira a domingo)

Horário: 9h às 19h

Classificação indicativa: Livre para todos os públicos

Entrada franca

Acesso para pessoas com deficiência

Informações: (11) 3221-4400

Patrocínio: Caixa Econômica Federal

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Local: CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo)