NÚCLEO DE CRIAÇÃO ISSO NÃO É UM GRUPO REESTREIA A PRIMEIRA MONTAGEM BRASILEIRA DE NEVA NO TEATRO EVA HERZ

SOBRE O EVENTO

Início: 28/04/2019 15:00
Fim: 30/06/2019 15:00
Onde: Teatro Eva Herz- Conjunto Nacional / Avenida Paulista, 2073 / São Paulo

Primeira montagem brasileira da obra mais consagrada do dramaturgochileno Guillermo Calderón, espetáculo tem tradução assinada por Celso Curi e direção de Diego Moschkovich.

Depois de temporadas de sucesso com ingressos esgotados e longas filas de espera no Centro Cultural São Paulo, Armazém XIX e Oficina Cultural Oswald de Andrade, o Núcleo de Criação Isso Não É Um Grupo reestreia NEVA, texto do premiado dramaturgo chileno Guillermo Calderón dia 28 de abril, domingo, &agrav e;s 15 horas, no Teatro Eva Herz. O projeto que foi contemplado pelo 3º Prêmio Zé Renato cria um jogo de tensão e humor para fazer uma reflexão crítica e sarcástica acerca do teatro e suas limitações ao tentar dar conta do drama privado da morte e, sobretudo, do drama público da violência política. As atuações primorosas e a química impressionante do elenco envolve a plateia em um jogo vigoroso e inteligente de realidade e ficção, passado e presente, provocando um questionamento sobre a função e o sentido da arte frente aos contextos sociais vividos desde a Revolução Russa e ainda hoje no Brasil. Diego Moschkovich dirige o elenco formado por Ernani Sanchez, Flavia Melman e Michelle Gonçalves. A tradução do texto é de Celso Curi. 

No inverno de 1905, em São Petesburgo, a atriz Olga Knipper, primeira atriz do Teatro de Arte de Moscou, fundado por Stanislavski, vive o luto da morte de seu marido, o dramaturgo Anton Tchekhov e recebe a ajuda dos atores Masha e Aleko para prosseguir o ensaio da peça O Jardim das Cerejeiras, último texto escrito pelo esposo. Eles aguardam a chegada dos ou tros atores da companhia na sala de um teatro, enquanto do lado de fora está acontecendo o Domingo Sangrento, massacre em que boa parte dos manifestantes foi cruelmente assassinada pela guarda do Czar. A montagem do Isso Não É Um Grupo articula realidade e ficção, história e momento atual em uma provocação sobre as possibilidades e o sentido de se fazer teatro nos tempos em que vivemos. 

Na situação ficcional, três atores estão trancados em um teatro vazio. Aqui, todo o espaço do Teatro Eva Herz é palco da encenação. “Os atores não se restringem ao palco, mas antes ocupam também cadeiras e corredores, espaços normalmente reservados ao público. Um jogo divertido que hora considera, hora desconsidera a presença da plateia é uma das muitas camadas do jogo de cena da peça. Elementos cênicos, visuais e sonoros são econômicos e precisos, centrando o desenvolvimento da ação na excelente performance dos atores”, diz o cenógrafo e iluminador Rafael Souza.
 
Teatro orgânico
A proposta para a encenação de NEVA é estruturada na continuidade da pesquisa de linguagem que foi desenvolvida durante a criação de Dezembro, texto também de Calderón e espetáculo de enorme êxito do Isso Não É Um Grupo.Assim como o espetáculo anterior, N EVA tem uma encenação em que todos os elementos servem ao ator. 

“Meu trabalho tem uma linha muito clara: meu objeto de estudo e o elemento central das minhas montagens é o ator. Em NEVA, a dramaturgia de Calderón só potencializa essa característica. Minha função é enxergar como todos os elementos podem ou não contribuir para que o jogo dos atores aconteça de maneira natural e orgânica em cena&rdquo”, explica Diego. 

Formado na Academia Estatal de Artes Cênicas de São Petersburgo, Diego trabalha com a metodologia Étude – criada durante os últimos anos de vida do diretor, ator e pedagogo russo Konstantin Stanislávski. Diego se aprofundou nesta metodologia no período em que foi assistente do diretor russo Anatoli Vassíliev (Wroclaw, Polônia, 2011-2012). Também conhecida por Análise-ativa,ela é parte intrínseca do sistema teatral de Stanislávski e representou a quebra do paradigma aristotélico do drama, realizada pela Grande Reforma teatral do século XX. Desenvolvida nos últimos anos de sua vida (1937-1938) e pouco conhecida no Brasil, a metodologia do Étude baseia-se na improvisação livre dos atores sobre um determinado texto, com o objetivo de que ajam e não imitem a açãoÉtude&nbsp ;é o nome dado à unidade de improvisação, ao campo de jogo onde os atores sentem-se livres para criar a partir de si mesmos. Eles se apropriam do texto, criando um jogo teatral que preserva a espontaneidade e organicidade do momento da criação.

Ficcionalizar o passado para refletir sobre o presente
Michelle Gonçalves diz que NEVA pode ser considerada como uma das grandes obras da dramaturgia contemporânea mundial e o texto mais montado de Calderón pelo mundo. “Normalmente, esse é o texto de entrada do autor nos outros países. Aqui, nossa versão de Dezembro foi a estreia de Calderón com uma montagem brasileira de sua obra. Apesar de, em um primeiro momento, parecerem bem diferentes, as duas peças tem pontos de contato claros. São duas obras com questões políticas muito intensas, mas que não desconsideram os dramas humanos e privados dos sujeitos envolvidos nos contextos sociais. Isso gera grande conexão com quem assiste. Em ambas ele desloca a ação no tempo para que possamos ter uma visão crítica do que vivemos agora. Em Dezembro, Calderón localiza a ação no futuro, em uma guerra fictícia para refletir sobre a situação política atual. Já em NEVA, ele recorre a personagens reais e acontecimentos históricos para criar uma ficção que provoca questionamentos sobre o valor da arte e as contradições do ‘ser humano artista’ diante do mundo em que vivemos”, expli ca. 

Celso Curi, tradutor do texto e detentor dos direitos da peça, está feliz por acompanhar a vida longa e exitosa do projeto. “Assisti Neva em Santiago do Chile e fiquei encantado com a qualidade da dramaturgia do Guillermo Calderón. Depois de a ssistir a montagem, senti que tinha que me envolver com a obra do Guillermo de alguma maneira. Conversamos e acertamos a autorização para traduzi-la e os direitos de montagem. Após a tradução, foram feitas várias leituras e algumas tentativas de montagem. Depois de ver Dezembro, achei que era hora de trazer o projeto para o palco em parceria com o Isso Não É Um Grupo e hoje sei que foi uma sábia decisão”, relata.

NEVA marcou a volta de Celso Curi para uma produção teatral. Ele nunca deixou de estar envolvido em montagens, mas sempre como curador e programador. Sua última participação direta havia sido emMais um In stante, de Marta Góes, em 2002, quando atuou como produtor. Depois de Neva, Celso esteve com Yara de Novaes e Gilberto Gawronski no premiado A Ira de Narciso. Vale reforçar que Neva foi a primeira tradução do espanhol de Celso Curi. O original e sua tradução foram publicados em um livro, pela Universidade da Bahia (UFBA). Sua segunda tradução do espanhol foi Flores Arrancadas à Nevoa, de Aristides Vargas, também para a UFBA e depois veio A Ira de Narciso, do dramaturgo uruguaio, Sergio Blanco.

PROGRAMA DE DOMINGO
O convite do Eva Herz para uma temporada em um horário pouco usual, domingo às 15h, empolgou o Núcleo. “Nós ficamos muito animados com a ideia de estar em cartaz em plena Av. Paulista, durante o dia, no momento em que ela está fechada e repleta de pessoas se divertindo. Convidar as pessoas pra peça, vira um convite para, não apenas uma peça de teatro, mas parte de um programa muito divertido que é sair pra um almoço de domingo, passear na Paulista fechada e “pegar um teatrinho”, assim como tanta gente “pega um cineminha” no meio da tarde. Por que não?” Diz a atriz, Michelle Gonçalves. “Acredito que nós artistas e produtores de teatro precisamos escutar o que as pessoas estão nos dizendo sobre o que interessa a elas e nos abrir pra novas hipóteses e possibilidades deste nosso fazer”.

SINOPSE
Neva é uma emocionante e tensa provocação sobre os sentidos possíveis (ou a falta deles) para a arte e para a vida nos tempos em que vivemos. Três atores estão trancados em um teatro tentando encenar a morte de Anton Tchekho v, recém falecido marido de uma das atrizes, enquanto aguardam os outros integrantes da companhia para o ensaio. Mas do lado de fora está acontecendo um massacre, em que manifestantes foram cruelmente assassinados pela guarda do Czar. Estamos na Rússia, em 1905. Os três atores já não sabem mais se os seus colegas de elenco irão chegar... Com texto de Guillermo Calderón, a montagem dirigida por Diego Moschkovich, com Ernani Sanchez, Flavia Melman e Michelle Gonçalves articula história e ficção, teatro e vida real, humor e dor.

Para roteiro:
NEVA– Reestreia dia 28 de abril, domingo, às 15 horas, no Teatro Eva Herz- Conjunto Nacional / Avenida Paulista, 2073 / São Paulo / Tel 11 3170.4059. Ingresso- R$ 40,00 (inteira). Texto– Guillermo Calder&oacu te;n. Tradução- Celso Curi. Direção– Diego Moschkovich. Elenco– Ernani Sanchez, Flávia Melman e Michelle Gonçalves. Cenografia e Iluminação– Rafael Souza. Figurinos– Diogo Costa. Programação Visual– Pedro Meade. Fotos– Renato Mangolin. Coordenação de Produção– Núcleo Corpo Rastreado. Idealização– Isso Não É Um Grupo e Celso Curi. Duração– 80 minutos. Recomendado para maiores de 16 anos. Temporada– Domingos às 15 horas. Até 30 de junho.

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Teatro Eva Herz- Conjunto Nacional / Avenida Paulista, 2073 / São Paulo