TEXTO DE PAULA GIANNINI É A SEGUNDA PEÇA DA MOSTRA DE DRAMATURGIA DO CENTRO CULTURAL SP

SOBRE O EVENTO

Início: 12/07/2019 21:00
Fim: 11/08/2019 20:00
Onde: CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – Sala Jardel Filho – Rua Vergueiro, 1000 –Estação de metrô Vergueiro.

Cinco monólogos, que se desenvolvem em cenas curtas, um em cada uma das cinco regiões brasileiras – Norte, Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste – são o ponto de partida do espetáculo DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA, segunda montagem da Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo, que estreia dia 12 de julho, sexta-feira, às 21 horas. Com texto  de Paula Giannini, que integra o elenco ao lado do diretor Amauri Ernani, a narrativa da peça se constrói em uma estrutura que tem no conto o seu disparador.

 

Em DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA os personagens têm suas vidas interligadas por algum laço afetivo, peculiaridades nos modos de falar, de ser, de pensar. Em comum, todas as cenas trazem, como símbolo que ata cada uma das vidas retratadas, a farinha, presente no prato do brasileiro do Oiapoque ao Chuí, ingrediente capaz de unir todo um povo em um laço tecido em cultura, esperança e memórias.

 

Um país tão rico em cultura e saberes populares, rico igualmente em desigualdade, miséria e fome, mas com um povo cheio de esperança. DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA traz cinco personagens do mundo dos invisíveis: Nona, parteira e benzedeira, lutou sempre pela vida dos mais fracos, inclusive a sua, pois nasceu dentro de uma comunidade cheia de contradições e preconceitos; Thayanara, garimpeira, mãe de gêmeas, vive em um buraco, arrancando com suas próprias mãos  e suor aquilo que é negado às mulheres, seu lugar no mundo. Jesus é um dos milhões de brasileiros desalentados, prestes a perder a guarda dos filhos; Menina é uma criança solitária, estigmatizada pela “maldição” recebida – é a sétima filha de uma prostituta – que se agarra à fantasia a fim de sobreviver, e, finalmente, Tauan, professor e morador de rua, que, na sua loucura, viaja entre delírios heroicos e a perda de referência familiar e humana.

 

Voz aos invisíveis

Para a dramaturga e atriz Paula Giannini, as tramas, recortes simples do cotidiano de cada um dos protagonistas, trazem histórias de vida que mesclam o estranhamento de um país cheio de interiores e inacreditáveis situações de privação à contemporaneidade do século XXI, fazendo-se presente mesmo nos lugares mais longínquos e mesmo ermos. “O texto, repleto da coloquialidade e maneirismos de cada uma das regiões brasileiras, apresenta a diversidade de um país de dimensões e modos de pensar continentais”, conta ela.

Há algum tempo Paula vem percebendo em seu trabalho, a recorrência de dois temas de urgente importância no mundo atual, principalmente no Brasil: dar voz aos invisíveis e, quase como uma consequência disso, o modo como pensamos e tratamos o alimento (ou a falta deste) em nossa sociedade contemporânea.

 

“Esse processo, quase natural, começou com a criação de contos-receita, um formato que vislumbrei um dia, ao olhar uma receita em um caderno de minha mãe, e que, desenvolvi a princípio, abordando memórias afetivas ligadas ao alimento, seu cheiro, seu sabor. A experiência deu certo e os textos foram gradativamente tomando outras formas, enveredando por caminhos que se revelaram óbvios (ao menos para mim). O desperdício de comida em um mundo que sofre com a fome, a fome e o paradoxo das prioridades daqueles que poderiam fazer a diferença, até que, enfim, de alguma forma a fome e a invisibilidade de quem sofre com ela suplantou a doçura dos alimentos nos textos mais recentes”, explica a dramaturga e atriz

 

Todo esse experimento com os contos-receita culminou na peça DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA. Na dramaturgia, o conto se torna monólogo, confissão de cinco personagens em lugares distintos, com realidades igualmente diferentes, mas, unidos por dois elementos chave: a invisibilidade social e a farinha como único alimento presente em seus pratos.

 

Cultura popular

O diretor e ator Amauri Ernani conta que priorizou na direção a valorização do texto, na busca pela delicadeza, pela prosa poética, bem como pela oralidade e o modo de fala dos personagens. “O texto traz temas urgentes, como a miséria humana, a pobreza e a fome. O espetáculo fala sobre coisas importantes, mas muito duras. A sequência de apresentações dos monólogos tem início em um nascimento e fecha o ciclo em uma morte, símbolo que permeia todas as cenas, na fala na boca e na ação de cada um dos personagens, jargão presente na vida de todos brasileiros: Para tudo nessa vida há um jeito. Exceto para a morte”, conclui ele. 

 

Com uma linguagem simples, DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA traz à cena elementos da cultura popular tanto na cenografia e figurinos, criados por Francisco Kokocht, mas também na concepção sonora assinada por Sérvulo Augusto. O cenário é formado por uma barraca ou oca suspensa remetendo ao lar e casa, último reduto de todas as pessoas, além de várias bacias de tamanhos e formatos diferentes. As cores terrosas presentes na cenografia também marcam os figurinos. Beto Bruel assina o desenho de luz intensificando o tom árido do espetáculo.

 

Continuidade da mostra

Depois de DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA, a última montagem da quinta edição da Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos a estrear será A Neve ou Fora de Controle (de 16 de agosto a 15 de setembro), dramaturgia e direção de René Piazentin. Com Aline Baba, Fernanda Gama, Gustavo Xella, Izabel Hart, Leandro Galor, Mateus Pigari, Renata Grazzini e Rodrigo Sanches, a peça procura mostrar o momento atual, em que a perplexidade muitas vezes congela a possibilidade de ação. Desde que começou a nevar no Rio de Janeiro Pedro nunca mais foi visto. Enquanto o país se prepara para a Copa do Mundo sinais de celular são rastreados e um atentado no Maracanã tira a vida de trezentas pessoas. Em meio a tudo isso figuras grotescas tramam um golpe de Estado.

 

Para Kil Abreu, curador de teatro do Centro Cultural São Paulo, a Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos chega à sua quinta edição totalizando um quadro alentador. “Foram cerca de duzentos autores inscritos a cada edital, dos quais foram selecionados três textos por ano, totalizando, com a edição atual, quinze espetáculos montados através do projeto. Uma parte deles figurou nas listas de melhores trabalhos do ano na temporada de São Paulo, como Mantenha Fora do Alcance do Bebê, de Silvia Gomez; Os Arqueólogos, de Vinícius Calderoni eBuraquinhos ou o Vento é Inimigo do Picumã, de Jhonny Salaberg”, conta ele.

 

O edital não se confunde com outros prêmios de montagem, pois é o único que parte do autor/autora e cumpre todo o percurso de produção do teatro, do texto inédito ao encontro com o público. O Centro Cultural São Paulo oferece, além do prêmio em dinheiro, a sala e a infra-estrutura técnica para a primeira temporada, além da publicação das peças, distribuídas à plateia. “As três dramaturgias da quinta edição jogam luz sobre as diversas formas e impasses da sociabilidade brasileira atual, seja através da questão do feminino, tratada de maneira iconoclasta e em abordagem colada ao performativo, por Janaina; seja nos retratos afetivos pintados por Paula Giannini a partir das faces diversas do ‘ser brasileiro’; seja na fantasia política criada por René Piazentini, que projeta um futuro próximo para falar sobre o Brasil do presente. São escritas livres mas em franco diálogo com a época e suas circunstâncias”, adianta o curador.

 

 

Para roteiro:

MOSTRA DE DRAMATURGIA EM PEQUENOS FORMATOS CÊNICOS DO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO apresenta DE ESPERANÇA, SUOR E FARINHA – Estreia dia 12 de julho, sexta-feira, às 21 horas, na Sala Jardel Filho. Dramaturgia – Paula Giannini. Direção – Amauri Ernani. Elenco – Paula Giannini e Amauri ErnaniIluminação – Beto Bruel. Concepção Cênica e Figurinos – Francisco Kokocht.Concepção Sonora – Sérvulo Augusto. Sonoplastia – Amauri Ernani. Produção – Palco Cia de Teatro. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Realização – Centro Cultural São Paulo. Recomendação etária  12 anos. Duração  90 minutos. Ingressos  R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada). Temporada  Até 11 de agosto. Sexta-feira e sábado às 21 horas e domingo às 20 horas.

 

Próxima estreia:

A Neve ou Fora de Controle

Dramaturgia e direção de René Piazentin

De 16 de agosto a 15 de setembro

 

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – Sala Jardel Filho – Rua Vergueiro, 1000 –Estação de metrô Vergueiro. Telefone (11) 3397-4002. Bilheteria – de terça a sábado, das 13h às 21h30; e domingos, das 13h às 20h30. Ingressos vendidos online pela ingressorapido.com.brou pelo telefone 4003-1212. Capacidade – 321 lugares. Acesso para deficientes físicos. centrocultural.sp.gov.br

 

MAPA

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CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – Sala Jardel Filho – Rua Vergueiro, 1000 –Estação de metrô Vergueiro.